Neste fim-de-semana, voltou a estar em destaque na comunicação social o alerta lançado pela Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, em uníssono com associações de pais e outras entidades da sociedade civil, para a crescente difusão de discursos de ódio entre adolescentes em contexto escolar. Trata-se da propagação, a partir das redes sociais e sequentemente nas dinâmicas quotidianas nas escolas, de mensagens de ódio, desprezo, intolerância e diferenciação contra mulheres, sexualidades não normativas e pessoas racializadas.
Como resposta, estas entidades propõem o aumento do número de psicólogos nas escolas; medida certamente importante para que a Escola se apetreche de ferramentas que permitam responder ao trauma que atitudes fomentadas por um tal discurso possam causar nas vítimas.
A OAS vem, no entanto, assinalar que o discurso de ódio encontra terreno fértil em contextos com défices de cidadania e participação, em que existem poucos espaços de partilha, debate e reflexão conjunta, em comunidades com fraca coesão e sentido de pertença e em ambientes com falta oportunidades e com poucos modelos de referência. Assim se multiplicam raciocínios simplistas, explicações de glorificação do “Eu” e de culpabilização do “Outro”, a par da desresponsabilização relativamente ao contributo de cada um para a construção da comunidade.
O assistente social é o profissional que trabalha estas ligações, cujo foco da intervenção radica na mediação e (re)construção de relações e que está preparado para o trabalho de intervenção comunitária através da participação e do empowerment de indivíduos, famílias e comunidades. Construir redes, desenhar objetivos comuns, envolver a comunidade, criar alianças com as famílias é uma das dimensões essenciais do modo de trabalho dos assistentes sociais.
A Ordem dos Assistentes Sociais vem, na sequência da sua posição sobre a abertura para os “técnicos especializados”, assinalar a importância de dotar a rede de escolas de um maior número de assistentes sociais, de modo o poder ser desenvolvido um trabalho, não apenas na reparação, mas também na prevenção e desenvolvimento de comunidades escolares promotoras de cidadãos conscientes, responsáveis e solidários!
1.06.2026
A Direção da Ordem dos Assistentes Sociais
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