Posição da OAS a propósito do estudo sobre e o emprego jovem em Portugal.
Sem surpresas, o estudo vem evidenciar o subfinanciamento que é feito, por via salarial, ao setor dos serviços sociais. A consulta do estudo revela a situação de injustiça social, para a qual a Ordem dos Assistentes Sociais também já tem vindo a alertar, resultante das consideráveis diferenças salariais entre jovens com níveis de qualificação semelhantes.
Assim, se é certo que em qualquer área de atividade à evolução do nível de qualificações (estudos secundários, licenciatura e mestrado) corresponde uma evolução dos níveis salariais, verifica-se um hiato muito significativo entre os salários alcançados pelos profissionais das TIC, da saúde e da matemática e estatística e os profissionais dos serviços sociais, da educação e da veterinária.
A área dos serviços sociais é mesmo aquela em que se registam os níveis salariais mais baixos, sendo que o salário médio de um trabalhador com mestrado não chega a alcançar os valores dos salários dos licenciados das áreas mais bem pagas. A OAS reconhece que, nas sociedades ocidentais, a liberdade de mercado assume um papel estruturante , mas considera que não é aceitável a existência de diferenças salariais de quase 75% entre o topo e a base da pirâmide salarial do emprego jovem.
A situação é socialmente injusta e coloca os profissionais dos serviços sociais, entre os quais se enquadram os assistentes sociais, não raras vezes numa situação de ansiedade e angústia que influencia a qualidade do desempenho requerido pela complexidade das situações que lhes estão acometidas, as quais se apresentam em si mesmas indutoras de stress emocional.
Mas este retrato deve também suscitar um questionamento coletivo sobre o que é que, afinal, valorizamos enquanto sociedade. Os profissionais dos serviços sociais, os assistentes sociais, são quem acolhe, quem cuida, quem reconstrói, quem ajuda a renovar sentido junto dos setores mais vulneráveis, mais fragilizados da sociedade. Ao mesmo tempo, espera-se que os assistentes sociais sejam capazes de ter uma voz ativa na sociedade para apoiar a formulação de políticas públicas justas e para promover o debate público em torno de problemas sociais invisibilizados.
O Assistente Social trabalha nos alicerces da democracia e da coesão social. Para tal, necessita de formação contínua, de cultura, de informação. Em suma, precisa de ter condições de trabalho e salariais compatíveis com a sua expertise e com a sua responsabilidade.
Como o estudo citado revela, a enorme desigualdade salarial registada resulta não apenas de características de mercado, mas também de fatores institucionais, o que no âmbito dos serviços sociais remete, necessariamente, para as políticas públicas, as quais, como já assinalado, assentam num modelo de subfinanciamento do setor solidário e social.
Neste enquadramento a OAS exorta os poderes públicos, mas também as entidades representativas do setor social e solidário, hoje o maior empregador dos assistentes sociais no país, a desenvolverem ativamente medidas de melhoria das condições de trabalho dos assistentes sociais e de atratividade para esta profissão.
A OAS, agora munida dos dados que este estudo nos traz, compromete-se a encetar um diálogo com as entidades responsáveis com vista a salvaguardar a adequação das condições de que os assistentes sociais necessitam para o seu exercício profissional.
A Direção da Ordem
18.05.2026
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